‘Ela pode ter se tornado refém da própria mentira’, diz psicólogo

Especialista fala sobre o caso de Pâmela Serveli, que teria inventado gravidez; defesa reforça que ela esteve grávida.

Pâmela Ribeiro Serveli teria inventado gravidez e apresentado exame falso (Foto: Reprodução / EPTV)

“Sempre é consciente, mas há a possibilidade de a pessoa ter se tornado refém da própria mentira”, diz o psicólogo Márcio Ferreira, especialista em saúde mental e analista sistêmico.

Márcio fala sobre a história de Pâmela Serveli, 24 anos, conhecida como a “falsa grávida de Ribeirão Preto”. Ela teria inventado uma gravidez (teria até falsificado um exame) e o nascimento de uma filha com Victor Guerino Sedassare, 24, com quem tinha namorado e estava separada. O caso foi parar na Justiça.

Apesar de ainda não ter sido esclarecido judicialmente, Márcio ressalta que o caso pode estar ligado a uma patologia chamada mitomania, na qual o paciente mente compulsivamente para suprir determinadas necessidades – na maioria das vezes, até acredita no que diz.

“Para cada situação, existe uma análise. Porém, estas nem sempre são pessoas manipuladoras. As causas podem ser encontradas, na maioria das vezes, no contexto familiar ou em relacionamentos afetivos. O quadro é, ainda, concomitante a depressão e ansiedade”, afirma o psicólogo.

Além da festa de aniversário, na qual Pâmela foi levada pela Polícia Militar à delegacia e acusada de sequestro, ACidade ON recebeu, recentemente, fotos de um ensaio gestante, feitas em março de 2016. À época, ela disse à fotógrafa Fátima Dantas que estava grávida de 6 meses – e não escondeu das lentes a barriga, ainda que tímida. “Não tinha o que questionar. Ela estava entusiasmada, como todas ficam”, contou a fotógrafa.

Amigo de Pâmela, Victor Hugo Machado Carvalho, 25, lembra que ela chorava, procurava pediatras e se sentia chateada com o desinteresse do pai. “Acredito que faltou atenção dos envolvidos, porque ela estava doente e ninguém percebeu a tempo”, diz.

Ainda segundo o especialista em saúde mental Márcio Ferreira, o medo de quebrar o vínculo com a mentira pode trazer consequências – principalmente em casos de ordem grave, como a suposta falsa gravidez de Pâmela. Quando identificado o transtorno, este passa a ser tratado como uma doença. “O acompanhamento com a psicoterapia é o mais indicado”, ele conclui.

Pode virar novela

No último domingo (6), o colunista Leo Dias, do jornal carioca “O Dia”, divulgou que a autora da novela “A Força do Querer”, Glória Perez, quer retratar, nos próximos capítulos, a história da “falsa grávida de Ribeirão” na trama de Irene (Débora Falabella) e Eugênio (Dan Stulbach).

No entanto, o advogado de Pâmela, Carlos José de Moraes Andreotte, diz ainda não ter sido notificado sobre esta possibilidade – e reforça a teoria de que, de fato, ela esteve grávida.

“Minha cliente continua internada em uma clínica psiquiátrica, onde trata de transtornos psicológicos, mas a defesa continua no aguardo dos laudos médicos para que possam ser anexados ao processo. Temos fotos que provam a existência da gravidez”, afirma o advogado.

Ele ressalta, ainda, que Pâmela já fazia acompanhamento com um psicólogo antes do dia em que apresentaria a criança à família, durante uma festa de aniversário. “A alegação de Pâmela é que a filha nasceu com problemas cardíacos e, desde então, permaneceu internada”, conclui.

Victor nunca acreditou na gestação

Para Victor Sedassare, apontado como suposto pai da criança, a ex-namorada agiu de má-fé e não possui transtornos psicológicos. Ele, que luta contra um câncer na medula, perdeu o movimento das pernas em agosto de 2015, enquanto também brigava na Justiça contra o pagamento de alimentos gravídicos – verba de caráter alimentar, o qual valor destinam-se as despesas adicionais do período de gravidez e que sejam dela decorrentes, do momento da concepção ao parto, até mesmo as referentes à alimentação especial, assistência médica e psicológica, exames complementares, internações, parto, medicamentos e demais necessidades da gestante determinadas pelo médico.

“Não acredito que ela tenha fantasiado essa história e, muito menos, em transtornos psicológicos. Para mim, a Pâmela fez o que fez de forma premeditada para me afetar. Essa não foi a primeira vez que ela inventou uma gravidez em que eu seria o pai”, diz Victor. E completa: “Nunca me senti pai porque sempre soube que essa gravidez era uma mentira”, completa.

Fonte: ACidade ON

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